Se a montanha for pequena, nem suba

Nós podemos deixar qualquer coisa de lado na vida, menos nossa busca da “terra extraordinariamente rica onde o sol brilha sempre”.

Montanha

Se a montanha for pequena, nem suba

Quando eu era menino, muito curioso, um dia descobri um livro velho num baú do meu pai. Fiquei tão impressionado com sua leitura que nunca mais o esqueci: “A Luta das Caravanas” de Zane Gray. Tratava-se de uma daquelas caravanas que partiram para a conquista do Oeste dos Estados Unidos.

A parte que mais me impressionou foi quando a caravana chegou às Montanhas Rochosas e abriu seu próprio caminho através daquele maciço com mais de 4.000m. de altura, em meio a ataques de índios, animais ferozes, neve e gelo. O personagem com quem me identifiquei, Buff Belmet, menino da minha idade que se tornou um grande caçador de búfalos, ficou gravado indelevelmente em minha memória.

Depois de adulto, enquanto trabalhava nos EEUU, passei sobre as Rochosas dezenas de vezes rumo à Califórnia e de volta a Houston, ou N.York, e nunca me cansei de pensar: “que aventura. Como os colonizadores conseguiram isso? Como conseguiram atravessar da Costa leste para a Costa Oeste?” Quilômetro após quilômetro, dia após dia, mês após mês. Então me dei conta do que os movia adiante.

Mais do que a conquista do Oeste, aquele povo ia em busca de um grande sonho. De tudo o que possuíam na vida – seus carroções, seus suprimentos e seus sonhos – o que contava mesmo eram estes. Eles tinham ambição. O seu foco não estava no perigo das pradarias, nem nos desafios das montanhas. Embora os seus corpos ainda não estivessem lá, em suas mentes e corações eles já haviam chegado do outro lado.

A despeito de todas as dores, dos sacrifícios, dos nascimentos e mortes durante o percurso, aqueles que conseguiram chegar do outro lado tinham uma única visão: chegar a uma terra extraordinariamente rica onde o sol brilha sempre. O sonho de começar novamente, onde todas as coisas são possíveis. Os seus sonhos eram mais fortes do que os obstáculos pelo caminho. Nossas conquistas hoje são outras, os desafios são outros, os perigos são outros. Tenho visto muita gente se deixar abater, muitas vezes diante de “pequenas colinas”, que dirá de montanhas geladas cheias de animais e índios perigosos. Então me lembro da “Luta das Caravanas”. Nós podemos deixar qualquer coisa de lado na vida, menos nossa busca da “terra extraordinariamente rica onde o sol brilha sempre”. E essa terra encontra-se no espaço infinito de nossa mente e do nosso coração. Só nutrindo sonhos que para a maioria pareçam impossíveis; só enxergando aquelas coisas que as outras pessoas não enxergam; só chegando ao outro lado da montanha antes que os nossos pés cheguem lá, só assim continuaremos seguindo em frente. Portanto, “se a montanha não for suficientemente alta”, nem suba, pois só chegamos ao grandioso, desafiando o impossível.

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